Cabeço de Vide

domingo, dezembro 04, 2005

O ESTÔMAGO

Já passa das 4 da manhã e só consigo pensar em comida. Não entendo esta minha recente voracidade de espírito/estômago que me tem assolado nestes últimos tempos. Estou como a tia vestida de amarelo que durante anos nos fustiga com o desenchabido "Ambrósio, apetece-me algo" e ainda se sente agradavelmente surpreendida quando este lhe apresenta a famosa pirâmide dourada. Que tal, para variar: "Tomei a liberdade de preparar..."














"... umas maravilhosas Migas à Alentejana!"
Sim, por favor, é pra já!

sábado, outubro 08, 2005

A SEDE

Uma das paragens obrigatórias nas termas será esta fonte. Muita gente bebe a sua água. Fresca e "sabendo" como deve "saber", a água. Ninguém se atreve, no entanto, a usar o copo. A última pessoa que o fez, pelo menos na minha imaginação, era uma das figuras emblemáticas de Cabeço de Vide: "o" Santana. As primeiras lembranças que tenho dele, já o senhor era velho. Passava as tardes nas termas sentado à sombra da árvore que está perto desta fonte. Segundo consta, "o" Santana punha de molho, ao fresco, num copo similar àquele, a sua dentadura completa. Verdade ou não, chegou para me provocar uma alergia a canecas de metal, cujos usos não vêm especificados em quaisquer livros de instruções conhecidos, neste ou em outros locais habitados.
















(Não, não sou eu que estou bebendo. Eu estou por detrás da máquina infernal que regista destes momentos únicos. Desculpa priminha!)

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SULFÚREA

A principal fonte de entretenimento dos jovens adolescentes e crianças desde, pelo menos, que me conheci jovem e criança, era a ida às termas. O banho no tenebroso lago da Sulfúrea, que enche com a água da ribeira, contaminada, segundo crença popular, com os inúmeros, desconhecidos e perigosos poluentes vindos dos tomatais, fonte de imensas dores de cabeça para a minha progenitora (que por mais que gritasse, proíbisse, castigasse, nunca conseguiu que a sua jovem e despreocupada prole lá passasse as manhãs, tardes e noites) substituia a praia. O calor do Verão alentejano assim o exigia. Lugar privilegiado. Para conhecer novas pessoas, namorados e amigos. Para viver um pouco de liberdade longe dos quase sempre vigilantes olhares dos poderes paternais. Para fugir à calmaria monótona da adormecida vila.
A estrada fazia-se a pé. Cerca de dois quilómetros feitos por bandos de putos imunes ao calor e ao sol abrasador. Por vezes, no regresso, o taxista da vila dava-nos boleia. Porreiro. A viagem fazia-se em dois minutos. Os alentejanos conduzem como loucos e os carros, dizem, conhecem todas as curvas, altos e baixos da estrada. Numa delas - curvas- ficava o imenso eucalipto, local favorito de aparição da Moura de serviço. Infelizmente, em nenhuma das nossas incursões nocturnas para as termas encontrámos vestigios da dita. De férias, provavelmente, no Algarve, ou assombrando o mato à procura de clientes mais maduros do que nós pirralhos para exibir os seus encantos e fúrias.

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Uma perspectiva da avenida
da Libertação (nome, segundo
li algures, dado à principal
artéria da vila, em memória
do longínquo dia em que os
cabecenhos se libertaram do
tirânico jugo da concelhia de
Alter do Chão), no alto dos
seus rectos 600 metros,
do Breque à Escola Primária.


TODA A TERRA DE RESPEITO TEM UMA

A Moura Encantada

Diz o povo que no sítio denominado pombal, onde talvez tivesse existido a primitiva localidade que deu origem a Cabeço de Vide, aparece uma moura encantada. Na azinhaga da bica a caminho da Súlfurea, também a fértil imaginação popular conta existir e aparecer uma outra moura encantada.
Esta surge umas vezes sob a forma humana, outras sob a forma de um cão ou gato preto.
Diz-se que quando antigamente um homem ia diariamente à estação levar o correio, um dia lhe saltou ao caminho o dito gato preto, que o arranhou e imediatamente desapareceu.
Doutra vez, e no mesmo sitio, uma mulher que ia para a ribeira lavar a roupa da semana, ao passar por ali, qual não foi sua admiração quando deparou com uma linda mulher, de pele muito branca, toda vestida de preto, sentada numa pedra.
Pousou o cesto que levava à cabeça e quando se lhe dirigiu, a mulher desapareceu.
Era a moura encantada.

UM POUCO DE HISTÓRIA

Distando 10 Km da sede do concelho, Cabeço de Vide situa-se na encosta meridional de um monte, estendendo-se até à planície e aí formando um rossio que é tido como o mais amplo entre o Tejo e o Guadiana.
Há quem atribua aos romanos a fundação da primeira povoação, mas sabe-se que todo o território da freguesia foi alvo de ocupação humana desde o Neolítico. Comprovam-no os diversos achados arqueológicos aqui encontrados ao longo dos tempos: machados, facas de pedra lascada e polida e numerosas antas.
Os romanos devem ter permanecido aqui durante vários séculos. Pelo actual território de freguesia passava uma estrada subsidiária da importante via militar romana que ligava Lisboa a Mérida. Esta via servia as termas da Sulfúrea, onde foram encontradas ruínas de um balneário e muitos outros vestígios arqueológicos datados da época romana. Um pouco por toda a freguesia foram encontrados abundantes testemunhos de uma forte actividade romana. Segundo a tradição a primeira fundação da localidade foi no sítio de Pombal. "Havia uma povoação onde, por ocasião de uma batalha, ficaram por enterrar muitos mortos do que resultou uma peste, alguns feridos subiram ao cabeço do outeiro e assim que respiraram os ares puros logo recuperaram a saúde, vendo isto, os que ficaram em baixo foram subindo ao alto do monte e lhe chamaram dali diante Cabeço de Vida e pelo tempo em diante Cabeço de Vide."
No ano de 1160, D. Afonso Henriques conquistou a povoação que foi retomada e destruída pelos árabes em 1190. Alguns anos depois foi reconstruída no alto do Cabeço para melhor se defender dos inimigos. Foi então levantado, ou reconstruído, um castelo e edificada uma cerca muralhada em torno da povoação.
No séc. XVI, Cabeço de Vide foi doada a um dos mais ilustres homens de armas e célebre Diogo de Azambuja. Este século foi época de ouro da vila que começou, em 1498, com a fundação da Santa Casa da Misericórdia por D. Leonor. Em 1512, D. Manuel I concede novo foral a Cabeço de Vide.
O declínio da vila começou durante as campanhas da Restauração que lhe arruinaram as casas, as muralhas e o castelo. Depois de vários anos negros na vida desta vila, esta deixa de ser concelho a 24 de Outubro de 1932, ficando integrada no concelho de Alter do Chão até 21 de Dezembro de 1932, data em que transitou para o concelho de Fronteira.

sexta-feira, outubro 07, 2005

THE COAT OF ARMS


As águas termais, sulfurosas, sempre desempenharam um papel determinante na vida de Cabeço de Vide. Em maior ou menor número, os banhitas vão aprendendo o caminho que os conduzirá à Sulfúrea, local onde poderão, durante 15 dias, tratar das mazelas ósseas e respiratórias. Desde os tempos dos romanos.

RESULTADOS DE PESQUISA

Navegando pelas ondas da net, confirmei aquilo que já pensava acerca da informação visual e textual disponível sobre esta terra alentejana. Escassa e muito!
Tendo esgotado também o meu reduzido reportório fotográfico da dita, poucos aditamentos têm sido feitos neste espaço. Espero colmatar a falta de informação gráfica, tanto dos meus "arquivos", como do espaço virtual, em breve, nas minhas futuras e mais frequentes incursões pela terra do meu coração.
Entretanto, eis umas fotos mais (uma delas nunca a poderia ter tirado através dos arcaicos meios de que disponho: uma maravilhosa vista aérea do que resta do castelo e da vila).











domingo, setembro 18, 2005

O PROBLEMA DAS LIGAÇÕES EMOCIONAIS...

...é que elas nos dão mais ralações que alegrias. Será que é por sermos definitivamente masoquistas que nos deleitamos na ausência do que não temos? Agora? Aqui? Neste instante de nostalgia, de longing? Acontece-me com tudo este sentimento de perda - pessoas, objectos, vivências, lugares, everything. Quando todos se conjugam é o fim...
Neste momento apetecia-me ter outra vez os dezassete anos do meu contentamento descontente. Voltar a estar com a pessoas com quem estava então, voltar a ter as conversas de então, ver as coisas como via então, com os olhos de então. Ter as preocupações de então. As alegrias de então. Tudo de então. O busilis da questão é o grande borrão que cobre as minhas recordações (de então). Gostaria de ter o número de acesso a esse então, agora efabulado pela distância no tempo e na essência. Gostaria de ligar e ver o que aconteceria. Sentiria, provavelmente, o desencanto da desenfabulação. O problema das ligações emocionais é... serem ligações emocionais...

quarta-feira, agosto 10, 2005

CABEÇO DE VIDE 1989



A ESTAÇÃO IV

Ao vasculhar a colecção de fotografias, que acumula anos e pó, descobri umas fotos de alguns desses painéis, tal como se encontravam originalmente nas paredes da estação. Estes, tenho a impressão, desapareceram de vez. De 1993, eis o que se perdeu.



A ESTAÇÃO III





A ESTAÇÃO II





A ESTAÇÃO I
















Por volta dos meus teen years a estação de Cabeço de Vide era um dos pontos possíveis para ir até à vila de Fronteira sem ninguém dar por isso. Caminhava-se até às termas e apanhava-se a automotora. A viagem durava pouco mais de vinte minutos.
Depois, a estação foi desactivada, como tantas outras estações do interior do país e abandonada à sua sorte. Os maravilhosos painéis de azulejos que a cobriam foram desaparecendo gradualmente, por culpa dos elementos e por culpa de quem se diverte a destruir.
Há dois anos atrás, estava praticamente de rastos. Os azulejos, para meu desgosto, tinham desaparecido por completo. Ou assim pensava eu.
Agora, comprada pela Câmara Municipal e transformada numa simpática e confortável Estalagem - de seu nome Rainha D. Leonor - renasce para tempos melhores.
Ah! Dois dos painéis originais foram recolocados no seu devido lugar. Vale a pena a visita e por que não um fim-de-semana relaxado em pleno Alto Alentejo?
O sítio para quem estiver interessado: www.estalagemrainhadleonor.com




A PIECE OF THE CAKE

Estas fotos foram tiradas num outro casamento, em Abril de 2003. Como se pode verificar, o céu estava um pouco ameaçador, se bem que pouco fresco. Encontrava-me num local privilegiado de observação: ao pé da Igreja Matriz que fica precisamente no topo do cabeço que dá nome a
Cabeço, à espera que o senhor padre
pronunciasse, por fim, o clássico desfecho de quem se mete nestas andanças cerimoniais.
Em Cabeço de Vide, a tradição dos casamentos é bonita: o noivo encontra-se em seu domicilio de solteiro acompanhado de sua familia e respectivos convidados. Quando se decide preparado a sair, dando, evidentemente, tempo à sua futura esposa para se alindar convenientemente, dirige-se, com seu séquito, à última morada de solteira do seu amorzinho. De lá, noiva, familia, convidados esperam que o cortejo se componha. Juntos, encabeçados pelo par de noivos, a grande multidão inicia a sua longa e penosa subida ao centro histórico da vila, que, por infelicidade das senhoras adeptas de elegantíssimos vestidos travados e compridos e pontiagudos saltos altos, se encontra no ponto mais alto da mesma. É bonito. Passam o futuro casal, os milhares de convidados, todos sujeitos ao escrutinio minucioso dos vizinhos e habitantes cuja participação na cerimónia se esgotará nos clássicos comentários sobre as indumentárias e estórias, ou muito ou pouco abonatórias, há de tudo!, dos intervenientes na cerimónia. É delicioso!
Confesso, que desta vez, fiz batota... Escolhi a invenção mecanizada de quatro
rodas e motor de combustão para chegar lá acima.

terça-feira, agosto 09, 2005

FIRST STOP

Comecemos por viajar pelas singelas estradas alentejanas... Estreitas, velhíssimas, sinuosas. Muitas a necessitar de reparo, algum dinheiro e atenção, para melhor se circular.
Saindo, devagarinho, de Fronteira em direcção ao Cego, depois da ponte (digamos assim) velha que passa sobre a ribeira seca, este ano, da seca que nos assola, sensivelmete a meio caminho em direcção a Cabeço de Vide, encontramos este recanto maravilhoso...

ONDE FICA?

Alto Alentejo.
Distrito de Portalegre.
Encravada entre as vilas de Fronteira (agora conhecida como a capital do todo-o-terreno! LOL quem diria...) e Alter do Chão (terra dos cavalos Alter Real, felizes hóspedes das cavalariças da Coudelaria Nacional).

O COMEÇO

Estive, um fim-de-semana destes, no casamento de uma das minhas mais novas primas, na terra do meu coração - Cabeço de Vide. Há dois anos que não a via, por isso estava curiosa em saber se iria voltar a sentir aquele aperto que sempre sinto na alma quando dela me aproximo. É inevitável... A saudade, a nostalgia, a vontade de voltar, tudo permanece inalterado. Esta página surge numa tentativa de mostrar a quem quer que tropece nela, a terra que ficará para sempre associada à minha história de vida, à pessoa que eu sou. Uma tentativa simples para colmatar a falta de informação que existe acerca desta terra alentejana, que, certamente, poucos terão já ouvido falar. Um crash course sobre C.V. Vamos ver o que isto vai dar...